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publicado em 17 de outubro de 2017

Clima ainda não assegura ritmo :

Trabalhos em Mato Grosso completaram um mês, desde o fim do Vazio Sanitário, e seguem lentos, com produtores à espera da regularização das chuvas.

Falta de chuvas marca plantio da safra, mesmo após um mês do início

As primeiras quatro semanas de plantio da nova safra de soja, em Mato Grosso, encerraram com a cobertura de pouco mais de 14% da área estimada, ante mais de 30% de semeadura em igual balanço no mesmo período do ano passado. A chuva – a escassez dela – ainda marca esse início da safra e já começa a deixar o setor produtivo preocupado com as possíveis consequências dessa estiagem.

Entre os maiores temores estão o replantio, o que onera ainda mais o custo final de produção, como também o encurtamento da janela de plantio às variedades mais precoces de soja e do milho safrinha, cultura que sucede a sojicultora no Estado, e sensível a qualquer tipo de atraso, seja na semeadura quanto no plantio da oleaginosa.

O Diário conversou com alguns sindicatos rurais, existem situações em que o plantio foi realizado na primeira semana desse mês, sendo interrompido pela falta de chuvas, e de preocupação em relação ao replantio, já que há lavouras com mais de 10 dias sem chuvas. O clima, diferente do registrado em igual período do ano passado, ainda não trouxe as esperadas chuvas em volume e frequência, como costumam a ser registradas na maior parte do Estado nesse período. Os produtores contam que há previsões de precipitações mais regulares apenas para a próxima semana, a partir do dia 22.

Esse estresse hídrico que as plantas estão sofrendo desde o fim do Vazio Sanitário – momento que abre o calendário na nova safra no Estado, permitindo o plantio – intensificam as estimativas de um ciclo menos produtivo. Diferente do ano passado, quando as chuvas vieram em tempo e em quantidade ideais, nesse ano a escassez delas já coloca em risco o resultado da safra.

Conforme o Instituto Mato-grossense de Economia Agropecuária (Imea), em razão de outras condições climáticas há a previsão inicial de uma produtividade 2,30% inferior a registrada na safra passada, saindo de 55,39 sacas por hectare (sc/ha) para 54,12 sc/ha.

A expectativa é que Mato Grosso colha 30,58 milhões de toneladas de soja, 2,08% a menos em relação ao ciclo 2016/17, que foi recorde, e somou 31,22 milhões de toneladas.

O plantio da soja em Mato Grosso atingiu 14,44% dos 9,41 milhões de hectares em quatro semanas de trabalho. O percentual é 16,96 pontos percentuais (p.p) abaixo dos 31,40% que estavam semeados em quatro semanas. Até o momento a região mais é a oeste, com 40,80% dos 1,11 milhão de hectares plantados. O médio norte, região que detém a maior extensão de áreas de soja, semeou apenas 19,74% dos 3,17 milhões de hectares destinados à oleaginosa. Ambas as regiões apresentam atraso no ritmo dos trabalhos em comparação ao mesmo momento do ano passado, -13 pp e -22,10 pp, respectivamente.

Conforme a AgRural, Mato Grosso já cultivou 18% da área estimada até o final da semana passada e que apesar de haver atrasos em relação ao ritmo adotado no ano passado, a semeadura acima dos 15% está dentro da média dos últimos cinco anos. Conforme a analista Daniele Siqueira, a região mais prejudicada com a falta de estabilidade nas chuvas foi o Centro-Oeste.

O plantio da safra encerrou a semana passada em 12% da área brasileira, com avanço de sete pontos na comparação com os 5% de uma semana antes. “O número vem em linha com os 11% da média de cinco anos, mas é inferior aos 18% do ano passado, quando a semeadura foi umas das mais rápidas já registradas”, pontua Daniele.

Ainda como destaca, o avanço semanal poderia ter sido maior, não fosse a redução do ritmo dos trabalhos – e em alguns casos a sua completa interrupção – em boa parte do Centro-Oeste, onde a irregularidade das chuvas ainda amedronta os produtores. “As plantadeiras entraram em campo no início da semana passada, quando ainda havia umidade no solo, mas foram gradativamente parando devido à falta de chuva e à ausência de maiores volumes nas previsões para as próximas duas semanas”.

O Paraná lidera o plantio com cerca de 30% da área já semeada. Por lá as chuvas continuaram generosas e intercaladas com aberturas de sol, “o que permitiu rápido avanço do plantio e boas condições para o desenvolvimento inicial das lavouras. Até quinta (12), 30% da área paranaense de soja estava semeada, em linha com os 29% da média de cinco anos, ainda que atrás dos 39% do ano passado”, avalia a analista.

A AgRural estima a área plantada com soja na safra 2017/18 do Brasil em 34,6 milhões de hectares, com aumento anual de 2%. A produção potencial, calculada com base em linha de tendência de produtividade, é de 109,9 milhões de toneladas (-4%).

DIÁRIO DE CUIABÁ