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publicado em 26 de maio de 2017

Santander quer ‘fatia’ mato-grossense:

Banco apresentou ontem, em Cuiabá, política mais agressiva para fomento da economia estadual, focada na pecuária, agricultura e na agroindústria.

Sérgio Rial, o executivo que preside o Banco Santander, conhece os meandros do agronegócio em seus três grandes pilares de sustentação: pecuária, agricultura e agroindústria. Essa condição facilitou a palestra que proferiu ontem, em Cuiabá, na abertura do seminário “A força do campo”. Rial falou a língua de seus convidados e para arredondar o que disse, ouviu pronunciamentos semelhantes do ministro da Agricultura, Blairo Maggi, do governador Pedro Taques e do vice-governador e secretário estadual de Meio Ambiente, Carlos Fávaro. O evento, para apresentar a nova política do Santander para aquele segmento econômico, alcançou sua meta, e mostrou a Rial os números, o potencial de expansão e a situação estratégica de Mato Grosso para a política de segurança alimentar mundial. Palestrantes e participantes demonstraram interesse em comum pelo fortalecimento da economia rural, mas todos concordam que há muitas pedras no caminho de quem garante a comida no prato dos brasileiros e de cidadãos de mais de uma centena de países nos cinco continentes.

Rial sabia o que estava falando e a quem se dirigia, pois seu currículo revela que presidiu a Marfrig Global Foods, dona do frigorífico Marfrig e foi vice-presidente da Cargill. Marfrig tem plantas frigoríficas em Mato Grosso e a Cargill é uma das trades gigantes que recebem a soja cultivada aqui no Estado, e, além disso, atua no esmagamento da leguminosa para produzir óleo vegetal. Com intimidade sobre o segmento, disse que a saída da Inglaterra do Mercado Comum Europeu abre perspectiva para o Mercosul e “oportunidade geopolítica para o Brasil”. Também destacou que a economia mato-grossense tem que ficar atenta à China, procurar se manter “integrada ao mundo pela tecnologia” e se transformar em centro de excelência, o que para tanto exigirá o fortalecimento das universidades.

O presidente do Santander avalia que em razão do perfil econômico de Mato Grosso – exportador – “o que acontece no mundo, aqui reflete”. Quanto a isso observou que nos países desenvolvidos a taxa de juros é baixa enquanto no Brasil oscila entre 14% a 16%, mas “estamos numa faixa de declínio (de juros)”. Mesmo sem citar as taxas praticadas por seu banco, Rial revelou que a instituição tem planos e investe no segmento procurando entendê-lo cada vez mais, “contratamos agrônomos, com esse objetivo (de falar a língua do produtor), porque quem consegue vender sementes também ‘vende’ o banco”, comparou.
O Santander, segundo seu presidente, tem 17 pontos de vendas em Mato Grosso e planeja abrir outros, “um deles em Alta Floresta”, revelou. O seminário, na visão de Rial, foi um passo a mais para a sintonia entre o campo e o banco, mas ele teve o cuidado de não trombar com o Banco do Brasil, que é o principal financiador do custeio agrícola e o chamou de “importante banco do agronegócio”.
Sem detalhes, Rial deixou a entender que quer fazer o caminho inverso entre o cliente e o gerente, a começar pelas inovadoras lojas de serviço que sua instituição abriu em Canarana, Primavera do Leste e Campo Novo do Parecis, “para atender ao agro”, comemora. Mais: presente mundo afora, o Santander quer mergulhar na cadeia do agronegócio a começar pelo financiamento do custeio e sua sequência até o importador da commodity do outro lado do oceano. Isso, com a cautela de não trombar com as trades, que há muitas safras operam financiando lavouras independentemente de seu tamanho.

DIÁRIO DE CUIABÁ