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publicado em 24 de março de 2017

Especialista diz no Show Safra que manejo integrado é fundamental no combate ao percervejo e mosca:

Mosca branca soja 2014 (ass) / ]

O aumento da presença do percevejo, principalmente o marrom, e da mosca branca nas lavouras brasileiras tem destacado o manejo integrado de culturas como uma das principais formas de combate e prevenção às pragas. O engenheiro agrônomo e professor Doutor da Universidade de Estadual do Norte do Paraná (UENP), Silvestre Bellettini, afirma que não se pode atribuir a incidência dos problemas somente a perda da eficácia dos inseticidas. “Não dá pra atribuir o não controle das pragas somente a esse fator. Atualmente está se aplicando inseticida sem saber o que tem, quantos são e onde estão os invasores. O produtor tem que ter consciência de que a ferramenta de combate não se resume somente ao inseticida, mas também a amostragem, o nível de controle, horário de aplicação e volume de calda”, explica o professor.
Os estados de Mato Grosso, Mato Grosso do Sul, Bahia e Goiás são os que apresentam maiores índices das pragas devido à diversificação de culturas. “Em Mato Grosso, por exemplo, temos soja, milho, algodão, tomate, feijão, ou seja, ciclos de culturas sequenciais umas as outras, o que influencia para que a praga que se proliferou em uma cultivar passe para a outra”, observa Bellettini.

O pesquisador da Embrapa Agrossilvipastoril, Rafael Pitta, acrescenta que na região médio norte do estado, com destaque para Nova Mutum, houve índice de infestação maior de mosca branca na última safra. “Os sistemas produtivos influenciam muito. É uma região que produz soja e muito algodão e feijão. Temos três safras durante o ano, todas hospedeiras da mosca branca, o que chamamos de ponte verde, que faz com a praga tenha maior numero de gerações ao ano, populações maiores”, detalha Pitta.

Nas duas ultimas safras o ponto positivo foi o aumento do controle biológico no combate a mosca branca. “É mais uma opção para o produtor associar dentro do manejo e da resistência dos próprios inseticidas e uma forma de reduzir o impacto desses produtos que promovem o desequilíbrio entre praga e inimigo natural”, complementa o pesquisador da Embrapa.
A implantação da rotação de culturas pode gerar vantagens imediatas como a redução de custos, uma vez que se diminui o numero de pulverizações e a médio e longo prazo a redução de problemas com pragas resistentes as moléculas.
O engenheiro agrônomo, Márcio Goussain, informa que no estado existe maior incidência do percevejo marrom e do barriga verde quilópodes, na soja e no milho. “A situação em Mato Grosso é bem critica com relação ao percevejo e a presença da mosca branca vem crescendo, principalmente na região médio norte, eixo da BR 163, Vale do Araguaia e Xingu. É de suma importância começarmos a pensar no manejo integrado de forma ampla, não somente com relação a aplicação de inseticidas, mas também de outras praticas culturais. A destruição de soqueiras e plantas tigueras também deve ser feita”, finaliza Goussain.

As orientações, informações e apontamentos foram repassados pelos engenheiros agrônomos aos produtores durante mesa redonda realizada nesta quinta-feira (23), durante o Show Safra BR 163, realizado em Lucas do Rio Verde, que se encerra nesta sexta-feira.

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