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publicado em 18 de novembro de 2016

Comercialização segue em marcha lenta:

Enquanto a semeadura da soja 2016/17, em Mato Grosso, vai chegando à reta final, especialmente nas principais regiões produtoras, as vendas da produção não seguem no mesmo ritmo. Das mais de 29,89 milhões de toneladas previstas, pouco mais de 36% estavam comercializadas até outubro contra 53% em igual momento do ano passado. O desequilíbrio entre o preço ofertado à saca e o alto custo de produção, freiam as intenções de negócios por parte dos sojicultores. A preocupação do momento é que o plantio vai sendo finalizado e até agora o sojicultor fixando custo e não a renda.
Como explicam os analistas do Instituto Mato-grossense de Economia Agropecuária (Imea), a diferença entre os períodos é de -16,85 pontos percentuais (p.p.). Como exemplificam, a média de preços no ano passado nesse período era de uma saca acima de R$ 70. Atualmente, o valor médio está abaixo de R$ 60. “Nota-se uma grande distância em relação às vendas antecipadas da safra 2015/16, que já estavam em 53%, e também da média das últimas cinco safras. A justificativa está nos preços futuros, que vêm apresentando movimento de queda desde julho, e em contrapartida o custo registrou movimento oposto. Apesar dos preços internos em baixa, a consolidação de uma grande safra em Mato Grosso poderá trazer novas pressões baixistas ao mercado”, alertam os analistas. Para a atual safra, o Imea projeta uma produção 7,5% acima do colhido no ciclo anterior que foi de 27,81 milhões de toneladas.

Eles explicam ainda que com as vendas da safra no mercado disponível (spot) quase no fim (98%) neste momento, o foco do produtor tradicionalmente volta-se para a venda futura. “No entanto, as negociações da safra 2016/17 vinham apresentando um ritmo ‘lateralizado’ nos últimos meses. Em outubro houve um avanço mensal de 8,41 p.p., sendo superior aos meses anteriores. O que chama à atenção é que grande parte dos negócios ocorreram através de “troca de insumo por soja” (barter) entre produtores e trades, o que demonstra o baixo interesse do sojicultor em negociar no mercado”. A semeadura atingiu na última sexta-feira 88,38% da área estimada em 9,36 milhões de hectares, com avanço semanal de 8,11 p.p.

FUTURO – O mercado da soja teve ontem um dia negativo na Bolsa de Chicago (CBOT). Na reta final dos negócios, os principais vencimentos apresentavam 4 a 5 pontos de queda, iniciando uma tendência de que a oleaginosa se segura entre os patamares de US$ 9,80 a US$ 10 o bushel, padrão de medida norte-americano que equivale a 27,21 quilos.
De acordo com o analista de mercado Mário Mariano, da Novo Rumo Corretora, o mercado apresenta um cenário “paradoxal”: de um lado, uma demanda aquecida por soja para exportação e esmagamento. Por outro, o comportamento dos investidores após a eleição de Donald Trump à presidência dos Estados Unidos elevou bastante as taxas de juros e mudou o cenário cambial de parceiros comerciais do país, como a China e o Brasil.
Ele aponta que a volatilidade deve persistir enquanto não houver uma definição sobre o que a transferência do governo irá implicar nas relações com os parceiros, sobretudo com a China, que, em dúvida, também gera uma resposta do mercado financeiro. Para o Brasil, por outro lado, esta situação poderia ser benéfica, uma vez que o país asiático poderia estabelecer mais relações comerciais na América do Sul caso haja uma instabilidade. “Para o produtor brasileiro, a soja se valoriza neste cenário”, frisa.
Ontem, segundo o analista, foram realizados negócios em Mato Grosso a R$ 67, níveis que, como ele aponta, “atendem imediatamente ao interesse do produtor brasileiro”.
O cenário causado pelo câmbio, logo, gera realizações de preços bem maiores, que não estavam ocorrendo, com valorização chegando a 15% no período de entrega.
O analista diz que pode ser o momento de o produtor reavaliar a sua estratégia – vender e aproveitar o momento, embora a mudança, ainda paradoxal, impeça uma avaliação mais detalhada dos próximos rumos do mercado.

DIÁRIO DE CUIABÁ