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publicado em 27 de setembro de 2016

Projeção do IPCA cai de 7,34% para 7,25%:

A projeção representa a menor taxa já calculada este ano para a inflação no ano que vem.

Pelo documento do Banco Central, as estimativas para o Produto Interno Bruto (PIB) este ano indicaram retração de 3,14%

Após a divulgação do Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo – 15 (IPCA-15) de setembro, na última quinta-feira, o Relatório de Mercado Focus divulgado ontem, 26, traz mudanças relevantes para as projeções de inflação em 2016 e 2017. O IPCA – índice oficial de inflação – estimado para este ano passou de 7,34% para 7,25%. Há um mês, estava em 7,34%. Já o índice para o ano que vem foi de 5,12% para 5,07%. Há quatro semanas, apontava 5,14%.

Na quinta-feira, o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) informou que o IPCA-15 – considerado uma espécie de prévia para o IPCA – relativo a setembro foi de 0,23%, o que representou uma desaceleração ante o 0,45% medido em agosto. Foi a menor taxa para meses de setembro desde 2009. No acumulado do ano, o IPCA-15 está em 5,90% e, nos 12 meses encerrados em setembro, em 8,78%.

Para este ano, a meta de inflação perseguida pelo Banco Central é de 4,5%, com tolerância de até 2 pontos porcentuais. Para 2017, a meta também é de 4,5%, com margem de 1,5 ponto porcentual. Nesta terça-feira, 27, na divulgação do Relatório Trimestral de Inflação (RTI), o BC vai atualizar suas projeções para a inflação em 2016 e 2017.

No relatório Focus desta segunda, entre as instituições que mais se aproximam do resultado efetivo do IPCA no médio prazo, denominadas Top 5, as medianas das projeções para este ano passaram de 7,50% para 7,30%, também indicando um cenário mais favorável para a inflação. Para 2017, permaneceram em 5,50%. Quatro semanas atrás, as expectativas eram de, respectivamente, 7,45% e 5,25%.

Já a inflação suavizada 12 meses a frente também voltou a ceder, passando de 5,20% para 5,16% de uma semana para outra – há um mês, estava em 5,32%. Entre os índices mensais mais próximos, a estimativa para setembro passou de 0,34% para 0,26%. Um mês antes, estava em 0,36%. No caso de outubro, a previsão foi de 0,42% para 0,40%. Há quatro semanas, era de 0,42%.

A projeção de 5,07% para o IPCA em 2017 contida no Relatório Focus de ontem representa a menor taxa já calculada este ano para a inflação no ano que vem. É o que mostra a abertura dos dados do relatório.

Desde o fim de julho, as previsões do mercado para o IPCA 2017 vinham oscilando abaixo dos 5,20%. No entanto, com a divulgação na semana passada do IPCA-15 de setembro, os economistas reduziram de forma mais clara as previsões para a inflação no próximo ano.

O Relatório de Mercado Focus mostrou mudanças nas projeções para os preços administrados em 2016 e 2017. A mediana das previsões do mercado financeiro para este indicador este ano passou de elevação de 6,30% para alta de 6,20%. Para o próximo ano, a mediana foi de alta de 5,40% para avanço de 5,45%. Há um mês, o mercado projetava aumento de 6,20% para os preços administrados em 2016 e elevação de 5,30% em 2017.

O BC contava com forte desinflação desse segmento para levar o IPCA para o intervalo de 4,5% a 6,5% em 2016 – uma perspectiva que está distante, pelos dados do Focus. Atualmente, a instituição projeta variação de 6,3% para os preços administrados em 2016 e de 5,8% para 2017.

IGPS E IPC-FIPE – O Relatório Focus também divulgado ontem também mostrou que a mediana do Índice Geral de Preços – Disponibilidade Interna (IGP-DI) de 2016 passou de 8,03% para 8,00% da última semana para esta. Há um mês, estava em 7,74%. Para o ano que vem, a mediana das previsões permaneceu em 5,50%, mesmo porcentual de quatro levantamentos atrás. Os Índices Gerais de Preços (IGPs) são bastante afetados pelo desempenho do dólar e pelos produtos de atacado, em especial os agrícolas.

Outro indicador, o Índice Geral de Preços – Mercado (IGP-M), que é referência para o reajuste dos contratos de aluguel, passou de 8,23% para 8,17% nas projeções dos analistas para 2016. Quatro levantamentos antes estava nos mesmos 8,17%. Para 2017, as previsões foram de 5,57% para 5,53% – um mês atrás estava em 5,57%.

A mediana das previsões para o Índice de Preços ao Consumidor da Fundação Instituto de Pesquisas Econômicas (IPC-Fipe) de 2016 caiu esta semana, de 7,24% para 7,21%. Um mês antes, a mediana das projeções do mercado para o IPC era de 7,46%. Para 2017, as expectativas para a inflação de São Paulo cederam de 5,52% para 4,92%, ante 5,23% de um mês antes.

PIB – O Relatório de Mercado Focus desta semana mostrou leve mudança nas projeções para a atividade no País em 2016. Pelo documento do Banco Central, as estimativas para o Produto Interno Bruto (PIB) este ano indicaram retração de 3,14%, ante os 3,15% projetados uma semana antes. Há um mês, a perspectiva era de recuo de 3,16%.

Para 2017, o cenário é mais favorável, com perspectiva de PIB positivo. No entanto, o mercado previu para o País, conforme o relatório Focus, um crescimento de 1,30% no próximo ano, menos que o 1,36% projetado uma semana antes. Há um mês, estava em 1,23%.

No segundo trimestre de 2016, conforme dados do IBGE, o PIB brasileiro recuou 0,6% ante o primeiro trimestre do ano e teve retração de 3,8% ante o segundo trimestre de 2015. No ano, o PIB acumula baixa de 4,6% e, em 12 meses, recuo de 4,9%. No RTI, que sai na terça-feira, o Banco Central também atualizará suas projeções para o PIB. No documento de junho, a previsão era de recuo de 3,3% para 2016.

PRODUÇÃO INDUSTRIAL – No relatório Focus, as estimativas para a produção industrial ainda indicam um cenário difícil. A queda prevista para este ano seguiu em 5,93%. Para 2017, a projeção de alta da produção industrial foi de 0,50% para 1,00%. Há um mês, as expectativas para a produção industrial estavam em recuo de 5,98% para 2016 e alta de 0,50% para 2017. Neste ano até julho, conforme o IBGE, a queda acumulada na produção industrial é de 8,7%.

Dívida líquida/setor público ;

Já as projeções para o indicador que mede a relação entre a dívida líquida do setor público e o PIB para este ano passaram de 44,80% para 44,90% no Focus. Um mês atrás, estava em 45,00%. Para 2017, as expectativas no boletim Focus foram de 49,00% para 49,50%, ante projeção apontada um mês atrás de 49,10%.

CÂMBIO – O Relatório de Mercado Focus mostrou alteração marginal na estimativa para o câmbio deste ano. O documento divulgado pelo Banco Central indicou que a cotação da moeda estará em R$ 3,29 no encerramento de 2016, abaixo dos R$ 3,30 da projeção da semana anterior. Um mês atrás, também estava em R$ 3,29. O câmbio médio de 2016 permaneceu em R$ 3,45 – um mês antes, estava em R$ 3,43.

Para o fim de 2017, a mediana para o câmbio seguiu em R$ 3,45 de uma divulgação para a outra – mesmo valor de quatro semanas atrás. Já o câmbio médio de 2017 passou de R$ 3,39 para R$ 3,37 – estava em R$ 3,38 um mês atrás.

Nas últimas semanas, o Banco Central seguiu com sua estratégia de leilões diários de swap cambial reverso, cujo efeito nas cotações é equivalente à compra de dólares no mercado futuro. Com isso, vem reduzindo gradativamente sua posição vendida em swaps cambiais tradicionais, hoje em torno de US$ 35 bilhões.

No entanto, desde o dia 14 o BC reduziu o volume de swaps cambiais reversos oferecido diariamente, de 10.000 para 5.000 contratos (de US$ 500 milhões para US$ 250 milhões). Com isso, evitou uma pressão adicional sobre a moeda americana.

BALANÇA COMERCIAL – O Relatório Focus mostra também que a estimativa de superávit comercial este ano permaneceu em US$ 50,00 bilhões, mesmo valor de um mês antes. Na estimativa mais recente do BC, o saldo positivo de 2016 ficará em US$ 50 bilhões.

Para 2017, as estimativas de superávit comercial foram de US$ 47,32 bilhões para US$ 46,83 bilhões de uma semana para outra – ante US$ 49,81 bilhões de um mês antes.

No caso da conta corrente, as previsões para 2016 continuam com um déficit de US$ 15,90 bilhões, pela segunda edição consecutiva Para 2017, o mercado alterou a estimativa de rombo nas contas externas de US$ 24,20 bilhões para US$ 24,23 bilhões. Um mês atrás, o rombo projetado era de US$ 23,00 bilhões.

No mês passado, o BC informou que, de janeiro a julho deste ano, o País acumulou um déficit na conta corrente de US$ 12,541 bilhões. Este dado será atualizado nesta segunda-feira, quando ocorre a divulgação da Nota do Setor Externo referente a agosto.

IDP – Para os analistas consultados semanalmente pelo BC, o ingresso de Investimento Direto no País (IDP) será mais do que suficiente para cobrir o resultado deficitário neste e no próximo ano. A mediana das previsões para o IDP em 2016 permaneceu, no Focus, em US$ 65,00 bilhões de uma semana para a outra – mesmo patamar de um mês antes. No acumulado deste ano até julho, o IDP somou US$ 33,894 bilhões.

Para 2017, a perspectiva de volume de entradas de investimento direto, de acordo com o Focus, permaneceu em US$ 65,00 bilhões, também o mesmo montante de um mês atrás.

TAXA DE JUROS – À espera do RTI, a ser divulgado na terça-feira pelo Banco Central, os economistas do mercado financeiro mantiveram no Relatório de Mercado Focus suas previsões para a taxa básica de juros neste e no próximo ano. A expectativa para a Selic no fim de 2016 seguiu em 13,75% ao ano. Já a taxa básica para o fim de 2017 permaneceu em 11,00% ao ano. Há um mês, as projeções eram de 13,75% e 11,25%, respectivamente.

Na última ata do Copom, o colegiado condicionou o corte de juros no Brasil a três fatores que “permitam maior confiança no alcance das metas para a inflação”: a limitação do choque dos preços dos alimentos, a desinflação de itens do IPCA em velocidade adequada e a redução das incertezas sobre o ajuste fiscal.

No relatório Focus, a Selic média de 2016 seguiu em 14,19% ao ano. Para 2017, foi de 11,88% para 11,78%. Há um mês, a média das taxas médias projetadas para este e o próximo ano eram de 14,19% e 11,94%, nesta ordem.

Para o grupo dos analistas consultados que mais acertam as projeções (Top 5) de médio prazo, a taxa básica terminará 2016 em 13,75% ao ano, mesmo patamar de uma semana e um mês antes. Para o ano que vem, as estimativas do Top 5 ficaram estáveis em 11,25% ao ano, mesmo patamar de um mês atrás.

DIÁRIO DE CUIABÁ