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publicado em 9 de junho de 2016

Dólar tem forte queda e fecha a R$ 3,37:

É o menor valor em 11 meses da moeda americana, que reage à nova diretoria do BC e a dados da China

O dólar comercial fechou ontem no menor patamar em quase um ano. A moeda americana encerrou o pregão cotada a R$ 3,37

O dólar comercial fechou ontem no menor patamar em quase um ano. A moeda americana encerrou o pregão com queda de 2,34%, cotada a R$ 3,37, menor patamar desde o dia 29 de julho de 2015, quando terminou sendo negociada a R$ 3,33. Na mínima do dia, a divisa recuou até R$ 3,36, enquanto na máxima subiu a R$ 3,41. De acordo com analistas, o dólar reage à mudança no comando do Banco Central brasileiro e também a fatores externos, com uma queda menor das importações na China. No exterior a moeda também se desvalorizou e o “dollar index” recuou 0,23% frente a uma cesta de dez moedas. Na Bolsa de Valores de São Paulo, as ações da Petrobras saltaram mais de 8%, com o preço do petróleo chegando a US$ 52 o barril no exterior. O Ibovespa, índice de referência do mercado de ações brasileiro fechou com alta de 2,26% aos 51.629 pontos.

“O mercado começa a testar um novo patamar para o dólar, depois da nomeação do economista Ilan Goldfajn para o Banco Central. A percepção é que o BC será menos intervencionista no câmbio e deixará a moeda flutuar livremente”, explica Reginaldo Galhardo, gerente de câmbio da corretora Treviso.

Terça-feira o novo presidente do Banco Central, o economista Ilan Goldfajn, foi aprovado para o cargo depois de ser sabatinado pelo Senado. Galhardo observa que Goldfajn defendeu o “respeito ao regime de câmbio flutuante” e que o “câmbio não é ancora para a inflação”, afirmações que agradam ao mercado, afirma o especialista.

“O movimento de queda da moeda frente ao real também é resultado de um desmonte de posições de investidores que apostavam na alta do dólar. O boletim Focus do fim do ano passado previa um dólar a R$ 3,68 este ano, por exemplo. E o mercado começa a antecipar que podem entrar muitos recursos estrangeiros com a expectativa de retomada de novas concessões”, diz Galhardo.

A expectativa de ingresso de divisas referentes à emissão de US$ 1,25 bilhão em bônus da Vale, na noite passada, também ajudou a derrubar a cotação do dólar ontem. Os especialistas avaliam que se houver trégua no campo político, a moeda americana pode recuar ainda mais.

Para quem tem viagem marcada e se prepara para comprar dólares, é benéfico tomar algumas atitudes. Por exemplo: ter uma reserva disponível para quando for necessário. Isso porque, como nunca se sabe quando o preço das divisas vai cair, é melhor já estar preparado.

Em relatório, o superintendente da Correparti Corretora, Ricardo Gomes da Silva, também avalia uma mudança de comportamento do BC em relação câmbio.

“A ausência do Banco Central no mercado sugere que o piso de R$ 3,50 defendido pela administração anterior, deixou de ser meta para a atual direção do BC”, afirmou.

A economista da consultoria Tendências, Gabriela Szini, observa que com o dólar flutuando entre R$ 3,60 e R$ 3,70, no início do ano, o país ganhou competitividade nas exportações, especialmente em setores como material de transporte e agropecuária, que são bastante sensíveis ao câmbio. No primeiro trimestre de 2016, as exportações brasileiras cresceram 17%, em termos de quantidade, em relação ao mesmo período de 2015.

“Em termos de valores exportados, houve um recuo de 1,6% por causa da queda no preço das commodities. Mas em quantidade exportada houve crescimento. Mesmo com o dólar recuando abaixo de R$ 3,40, ainda estamos num patamar favorável às exportações, que devem crescer 15,7% este ano em relação a 2015, em termos de quantidade, segundo nossas estimativas”, explica Szini.

Ela acredita que neste momento de “baixo stress” no mercado, o dólar pode se manter no nível atual, abaixo de R$ 3,40, mas quando o Federal Reserve, o banco central americano, fizer o primeiro movimento de alta de juros, isso terá reflexo no dólar, que deve se valorizar frente ao real. Na expectativa da Tendências, a alta de juros nos EUA poderá acontecer em julho e em dezembro. Com isso, a consultoria espera que a moeda americana termine o ano na casa de R$ 3,72.

Na terça, o dólar perdeu valor diante do real, segundo analistas, reagindo à valorização das commodities e ao dado de inflação mais forte que o esperado. Globalmente, o dólar caiu 0,4% contra uma cesta de dez moedas, com os investidores ainda interpretando que o discurso da presidente do Federal Reserve (Fed, banco central dos EUA) na segunda-feira tornou mais difícil que o país suba juros no curto prazo.

 

FONTE: DIÁRIO  DE CUIABÁ