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publicado em 29 de março de 2016

Colheita na reta final revela perdas:

Lavouras tardias vão surpreendendo negativamente produtor por apresentar produtividade abaixo do esperado. Mais de 92% da área estão colhidos.
O rendimento das lavouras de ciclo mais tardio, aquelas plantadas de novembro do ano passado em diante, em Mato Grosso, não estão rendendo como o esperado pelos produtores. De acordo com o Instituto Mato-grossense de Economia Agropecuária (Imea), a produtividade semanal, em recuo há seis semanas consecutivas, vem se distanciando cada vez mais das médias de 2015 e a colheita entra na reta final, com mais de 92% da área de 9,2 milhões de hectares colhidos até a última quinta-feira, o que não deixa brechas para uma reversão na tendência de queda da oferta do grão nesta safra.

Como chamam à atenção os técnicos do Imea, no Boletim da Soja divulgado ontem, na última semana a média da produtividade semanal de 50,3 sacas por hectare (sc/ha) é 1,9 sc/ha menor que a do mesmo período da safra passada, temporada 2014/15. “Neste momento, o atraso em relação à colheita da safra 2014/15 foi reduzido para 2,3 pontos percentuais (p.p.), mas há perdas quando se comparam as médias de produtividade”, destaca trecho do Boletim da Soja.

Na última quinta-feira, a consultoria AgRural, também chamava à atenção da perda de produtividade das lavouras mais tardias no Estado, em seu levantamento semanal. Como explicou a analista Daniele Siqueira, a produtividade da soja tardia tem surpreendido negativamente em algumas regiões, devido à falta de chuva em janeiro e incidência de mosca branca. “Em Nova Mutum, no médio norte do Estado, por exemplo, a média da safra deve fechar em 48 sacas, mas os últimos talhões estão rendendo de 38 sacas a 48 sacas. Em Sapezal, noroeste, as plantas tardias vegetaram mais com os dias de chuva e pouca luminosidade, e isso afetou o rendimento. Já em Rondonópolis, ao sul do Estado, a média da safra deve fechar em boas 53 sacas”, avaliou.

Conforme relatos de vários produtores ouvidos pelo Diário ao desta safra, havia esperança de que o rendimento por hectare da soja de ciclo mais tardio pudesse de alguma maneira compensar as perdas contabilizadas sobre as lavouras com variedades precoces, que foram plantadas entre setembro e outubro e sofreram durante o período de desenvolvimento com a falta de chuvas e calor intenso. Conforme o presidente do Sindicato Rural de Sorriso, Laércio Lenz, em entrevista ao Diário há algumas semanas a soja tardia teve uma condição melhor de clima, com a chegada das chuvas mais regulares ao Estado a partir da segunda quinzena de dezembro. “De todo modo, foi um ano atípico em relação ao regime de chuvas e os resultados estão sendo contabilizados na medida em que se colhe a soja. Tem produtividade de dez sacas, de 35, 45 e até de 60 sacas”, contou.

Para os analistas do Imea, a produtividade ponderada da área já colhida até o momento, em Mato Grosso, não vem registrando quedas tão acentuadas, com média atual de 51,3 sc/ha. “O principal fator está em torno de 40% terem sido colhidos com produtividade média de 52,3 sc/ha. Nas últimas safras, a variação da produtividade semanal neste momento até o fim da colheita foi estável. No entanto, na safra atual, este cenário pode não se confirmar, com registro de novas retrações até o fim da colheita”.

Por enquanto, o Imea segue com a estimativa de produção de 28,5 milhões de toneladas, volume que se apresenta 1,49% superior ao da safra anterior, mesmo com a perspectiva de retração de 0,56% na produtividade, projetada em 51,62 sc/ha. O avanço na oferta, se confirmado, se dará sustentando no crescimento espacial, ou seja, na ampliação da área cultivada que ficou 2,06% maior que a superfície anterior. Em abril, é esperada uma nova estimada de safra pelo Imea.

 

FONTE: DIÁRIO DE CUIABÁ