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publicado em 9 de maio de 2018

ARGENTINA: Crise cambial reduz projeção de crescimento do país:

A crise cambial dos últimos dias na Argentina, que levou o Banco Central local a elevar a taxa de juros três vezes em uma semana e o governo a reduzir a meta de déficit primário, está também provocando um corte das projeções de crescimento para o país neste ano.

Índice – Na sexta-feira (04/05), o BC argentino elevou a sua taxa básica de juros para 40%. Ainda na tentativa de acalmar o mercado, o ministro da Fazenda, Nicolás Dujovne, anunciou a redução da meta de déficit primário, de 3,2% para 2,7%, com cortes de gasto público. Isso fez com que o dólar caísse quase 4% na em um dia. Ainda assim, a moeda americana acumula alta de 18,8% neste ano frente ao peso.

PIB – Com a crise cambial e as medidas anunciadas na sexta-feira, economistas dizem que o PIB da Argentina dificilmente crescerá 3,5% como previa o governo para 2018. “Já havíamos revisado a projeção de crescimento de 3,2%, em janeiro, para 2,7% em março, por conta da seca.

Ainda estamos analisando o impacto das últimas semanas, mas nossa estimativa deve ser de 2,3% de crescimento”, diz Dante Sica, diretor da consultoria Abeceb, de Buenos Aires. “Ainda precisamos ver como se estabiliza o dólar e a inflação.

Tendência – Se em maio a inflação ficar abaixo de 2%, a tendência é o banco central reduzir a taxa de juros, o que ajudará o crescimento.” Marcelo Carvalho, economista do BNP Paribas, em São Paulo, lembra que a intenção do governo é bancar um terço da redução do déficit com uma arrecadação maior e dois terços com cortes de gastos públicos.

“Em particular, foi anunciado um corte de 30 bilhões de pesos nos gastos de infraestrutura planejados para esse ano”, acrescenta, ao prever desaceleração do crescimento econômico nos próximos meses.

Confiança do mercado – Os cortes, observa Joaquin Olivera, do banco Balanz Capital, de Buenos Aires, são importantes para o governo do presidente Mauricio Macri recuperar a confiança do mercado e mostrar que está disposto a fazer sacrifícios, mas devem reduzir o crescimento. O banco de investimento cortou sua projeção de 2,5% para 2% neste ano.

Investimento – Já a alta da taxa básica de juros, que passou de 30,25% para 40% em uma semana, deve reduzir em particular o investimento no setor produtivo, afirma o economista Matías Carugati, da consultoria Management & Fit, de Buenos Aires. “Uma taxa a níveis tão altos afetará o crédito, sobretudo das empresas.” Ele diz que a consultoria revisará a projeção de crescimento do PIB de 2,8% para 2,5%.

Temporário – Fausto Spotorno, da Orlando J. Ferreres & Asociados, de Buenos Aires, diz que a consultoria não mexerá por ora em sua estimativa de crescimento de 2,5% para este ano. “Não é que não possamos mudar no futuro, mas por ora cremos que a taxa de juros a um nível tão alto é algo temporário”.

Dívida externa – Apesar de a Argentina hoje já ter garantidas 85% das suas necessidades de financiamento para 2018, Spotorno observa que, se o câmbio não se estabilizar, o país verá o custo de sua dívida externa aumentar.

“Dada a opção gradual do ajuste fiscal do governo Macri, a Argentina é muito dependente da emissão de dívida. Então, o quanto antes se apressar para cumprir as metas fiscais, menos vulnerável ficará às turbulências externas”.

 

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