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publicado em 21 de março de 2016

Estado homologa ‘Situação de Emergência’:

A partir de agora, produtores que confirmarem perdas em decorrência da adversidade climática poderão negociar débitos sem inviabilizar a atividade

Perdas de produtividade e grande variação de rendimento por hectare são marcas dessa safra em Sorriso e prejuízos somam R$ 42 mi

O governo do Estado homologou o decreto de Situação de Emergência do município de Sorriso. O pedido, feito pela prefeitura e pelo Sindicato Rural do município, tem o objetivo de beneficiar e proteger os produtores rurais que tiveram produtividade muito abaixo da que era esperada para a safra 2015/2016 de soja.
“Sempre soubemos lidar com a chuva em excesso, especialmente no período de colheita da soja, agora seca é um fenômeno incomum para a nossa região”, pontuou o secretário de Agricultura de Sorriso, Afrânio Cesar Migliari. E foi justamente a estiagem que levou o município a protocolar no dia 19 de fevereiro, junto à Defesa Civil do Estado, o pedido de Decretação de Situação de Emergência. “Com a homologação o produtor rural terá acesso ao refinanciamento de dívidas de forma tranquila, tanto junto à Sicredi quanto ao Banco do Brasil. O que queremos é minimizar o impacto da falta de recursos e de dinheiro em circulação na nossa economia, bem como salvaguardar o agronegócio que é a nossa principal atividade econômica”.
Conforme os 26 laudos apresentados pelo Município e realizados sob acompanhamento e supervisão da Defesa Civil, o bolsão de produção afetado pela estiagem, que engloba Sorriso, Ipiranga do Norte, Vera, Nova Ubiratã, Feliz Natal e Gaúcha do Norte, soma perdas diretas somente com a soja que se deixou de colher cerca de R$ 42 milhões, ou aproximadamente, 140 mil sacas.

\”Pelo menos 50 produtores estão com problemas gravíssimos de produtividade por conta da falta de chuva na janela do plantio e o excesso delas na hora da colheita. Enquanto alguns colheram até 60 sacas por hectares, outros estão colhendo 28 sacas por hectare\”, explica o presidente do Sindicato Rural de Sorriso, Laércio Lenz.

O Decreto foi homologado na última quarta-feira e tem vigência de 90 dias podendo ser prorrogado por mais 90 dias. Sorriso, município localizado a 460 quilômetros ao norte de Cuiabá, é o maior produtor nacional de soja e milho e é conhecido como ‘Capital Nacional do Agronegócio’.
Para pedir a situação de emergência, as lavouras que estão nas áreas mais atingidas pelos problemas climáticos tiveram acompanhamento de um engenheiro agrônomo e passaram por vistorias da Defesa Civil. \”Pedimos a situação de emergência para que os produtores que realmente estão passando por dificuldades devido à baixa produtividade tenham uma ferramenta a mais para negociar as suas dívidas. É uma forma de evitar com que os credores dificultem as renegociações\”, acrescenta Lenz.
Como detalha o secretário de Agricultura de Sorriso, Afrânio Cesar Migliari, a soja precoce cultivada da segunda quinzena de setembro de 2015 até o início de novembro foi a mais castigada pela estiagem e pelo forte calor. “O que registramos no período não foi apenas estiagem, foi um decréscimo gritante no volume hídrico da região, aliado a um calor intenso, fenômenos inéditos na nossa região”.
O decreto de Situação de Emergência assinado pelo Município, traz informações apuradas durante três meses sobre a região batizada como ‘bolsão Norte de Sorriso’ com 26 laudos técnicos que correspondem a verificação in loco de 26 propriedades e ainda de um relatório da Embrapa Sinop que atesta o déficit hídrico dos solos da região.
DIAGNÓSTICO – Como explica Migliari, nos últimos três anos a pesquisa acompanhou a intensidade das chuvas. “Nos primeiros dez dias de outubro de 2015, por exemplo, choveu o equivalente a 0,3 milímetros. No acumulado de setembro a dezembro dos anos de 2013, 2014 e 2015, o volume pluviométrico foi passando de 1.123 milímetros para 653 mm e 368 mm, respectivamente. Nesta safra muitos produtores não terão dinheiro para pagar suas contas com os agentes financeiros, como o Sicredi e o Banco do Brasil e nem soja em grão em volume suficiente para cumprir contratos com as tradings. O decreto nada tem a ver com calote é apenas uma forma de garantir que o produtor atingido – não é regra isso na região – especialmente os pequenos e médios, possam se organizar e seguir na atividade. Sem essa medida preventiva {que é o decreto} o impacto social na região de Sorriso seria enorme, principalmente a partir do segundo semestre, em função das demissões e falta de dinheiro em circulação no comércio”.

 

FONTE: DIÁRIO DE CUIABÁ